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Paulo Pedroso deixa recado: "PS tem de fazer aparecer novos protagonistas. O PS não pode ser o partido dos ex"

Paulo Pedroso deixa recado: "PS tem de fazer aparecer novos protagonistas. O PS não pode ser o partido dos ex"

A liderança do Partido Socialista (PS) será, para José Luís Carneiro, "um exercício muito difícil", prevê Paulo Pedroso, que recomenda ao líder socialista que, depois do Congresso do partido, agendado para o final do mês, José Luís Carneiro "renove o pessoal político. O PS tem de fazer aparecer novos protagonistas. O PS não pode ser o partido dos ex, de ex-ministros por exemplo".

Andreia Brito com Natália Carvalho /

Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas

Em entrevista ao podcast da Antena 1, Política com Assinatura, o antigo ministro do Trabalho socialista defende que a falta de contestação interna “não é saudável”.

No entanto também afirma que “a contestação sente que não é o momento para aparecer”.

António Costa deixou vários príncipes herdeiros e eles estão todos na política. Os príncipes herdeiros, que foram designados num Congresso, não abandonaram a política nem o jogo partidário”, destaca Pedroso.

E acrescenta: “todas as pessoas que podem ter interesse em ser secretário-geral do PS têm a noção de que não vai haver eleições proximamente e que não aconteceu nada que justifique derrubar José Luís Carneiro”.
“O PS tem sido uma espécie de braço esquerdo (do Governo) disponível, a enfrentar um muro de silêncio”, é como Paulo Pedroso olha para o partido.

Perante isso, a editora de política da Antena 1, Natália Carvalho, pergunta se José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, “está a ser muito fofinho?”. Na opinião de Paulo Pedroso “estão todos a ser mais fofos do que são de facto, porque todos tinham consciência de que o sistema estava bloqueado”, ou porque Marcelo Rebelo de Sousa estava em fim de mandato, ou porque havia dúvidas dentro do PSD em relação à estabilidade do Governo.

O jogo começa agora. Houve aqui um intervalo onde estavam todos condicionados”, diz Pedroso para quem “o PS tem, definitivamente, de deixar de se portar como advogado do anterior Governo (socialista). Este é um complexo que o PS ainda tem”.
Seguro não tem plano B. Se Governo preferir “via radical à direita”, Seguro fica “manietado”
Paulo Pedroso não vê António José Seguro como “um polo de fricção com o Governo. Vejo-o muito mais como alguém que vai procurar que o Governo seja mais moderado”.

Mas e se o Governo preferir “uma via radical à direita?”, pergunta Paulo Pedroso. Aí, responde o próprio, “olhando para o discurso de posse do Presidente da República, ele não parece preparado para esse cenário, que seria muito mais um cenário de o PSD procurar entendimentos de regime”.

Questionado pela editora de política da Antena 1 “é uma ingenuidade do Presidente?”, Paulo Pedroso responde: “não creio que seja uma ingenuidade, mas pode ser um fator de pressão”.

Pedroso acredita que Seguro irá tentar ao máximo promover a aproximação entre PSD e PS, mas “e se essa aproximação não acontecer? O que fará António José Seguro? Ficará manietado?”.

Do que o socialista tem certezas é de que “o PSD pode estar a preparar um cenário, consolidando um entendimento à direita que lhe dá os 116 deputados para enfrentar vetos, e, procurando um reequilíbrio no Tribunal Constitucional, que lhe dê mais conforto para ter menos derrotas do que tem tido, acaba por ser uma forma de manietar o Presidente”. 

E isso pode ser um conflito constitucional entre o Governo e o Presidente da República”, avisa.
“Concertação social está em post mortem
“A concertação social está em post mortem no sentido de que há desentendimentos entre Governo e CIP e UGT sobre matérias nucleares”, acredita Paulo Pedroso que duvida da possibilidade de um acordo entre Governo e parceiros sociais.

"Não acredito num acordo com esta ministra porque esta ministra quer fazer uma contra-agenda do trabalho digno. É pôr em causa o que foi decidido no Parlamento nos últimos anos, e isso tem a oposição frontal da UGT”, acrescenta o antigo ministro do Trabalho socialista em entrevista ao podcast da Antena 1, Política com Assinatura.

E, como Paulo Pedroso não vê “como a UGT pode ceder, nem como a ministra pode ceder”, defende que o primeiro-ministro ocupe um lugar na mesa das negociações como “alguém a substituir-se à visão da Ministra”.
Passos “está a transformar o tema da revisão laboral numa bandeira”
A entrada em cena de Pedro Passos Coelho está a transformar o tema da revisão laboral numa bandeira”, acusa Paulo Pedroso.

Referindo-se ao pedido de Passos para que o Governo de Montenegro não perca mais tempo e leve à Assembleia da República as transformações e os programas necessários, Paulo Pedroso entende que ao dar a entender que “o país precisa de mexidas e que Montenegro não se empenha o suficiente (na revisão laboral), está a tentar ser transformado numa prova da incapacidade de Montenegro trabalhar”.

E conclui que a revisão laboral “é uma questão muito importante para a ministra. É muito difícil acreditar que seja a questão mais importante para o Governo quando o PSD não a pôs no seu programa eleitoral”.
Montenegro “está a testar criação de um bloco de direita”
Pedro Passos Coelho “cada vez mais, aparece como candidato a sucessor de Montenegro”, é o que vê Paulo Pedroso, para quem o antigo primeiro-ministro está à espera das eleições internas no PSD, sejam elas concretizadas no prazo estipulado ou antecipadas.

O socialista acredita que Passos vai “aparecer perante uma queda de Montenegro. Não creio que apareça para defrontar Montenegro. É um fogo amigo que pretende forçar Montenegro a criar um bloco de direita”.

E esse bloco de direita pode já estar a ser criado, Pedroso dá como exemplo a escolha e eleição no Parlamento dos três juízes para o Tribunal Constitucional, na qual PSD e PS não se entendem.

Se houver um entendimento estrutural entre PSD, IL e Chega é completamente diferente do que aquilo que há uns meses parecia possível”, afirma Paulo Pedroso, que conclui: “o que parece que está a ser testado é essa maioria”.
“Este é um Governo que parece o fim dos governos de António Costa”
Fraco e ineficaz, é como Paulo Pedroso avalia o Governo de Luís Montenegro.

Este Governo tem sido essencialmente ineficaz, mesmo na sua própria agenda”, acusa Pedroso, para quem Montenegro e os respetivos ministros não lançaram, reformas estruturais, profundas.

Tem sido um Governo que surfa uma conjuntura”, acrescenta.

Nasceu fraco”, diz e compara mesmo com outros executivos socialistas: “este é um Governo que parece o fim dos Governos de António Costa”.
Entrevista conduzida pela editora de política da Antena 1, Natália Carvalho.

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